segunda-feira, 14 de abril de 2008

"Epidemiologia Molecular da Infecção por VIH-1 em Angola e Análise da Susceptibilidade Viral aos Fármacos Antirretrovirais"


Mais de duzentas e quarenta mil pessoas estão infectadas por VIH-1 em Angola. Estima-se que até 2009 cerca de quatrocentas e trinta mil pessoas morrerão com SIDA, a não ser que sejam tomadas medidas de prevenção de infecção adequadas e que os indivíduos infectados sejam tratados com agentes antirretrovirais.
Os objectivos deste estudo foram investigar a diversidade genética de VIH-1 em Angola e caracterizar a frequência e distribuição de polimorfismos na protease (PR) e retrotranscriptase (RT) associados a resistência aos agentes antirretrovirais.
Foram obtidas sequências dos genes gag (p17), pol (PR, RT) e env (C2C3) de cento e trinta e oito doentes não tratados com antirretrovirais. A análise filogenética das sequências revelou uma extraordinária heterogeneidade genética do VIH-1 em Angola. Todos os subtipos de VIH-1 foram detectados, excepto o B e o K. Cinquenta e quatro vírus (39%) são recombinantes entre dois ou mais subtipos, incluindo o sub-subtipo A3 recentemente descrito. Vinte e seis vírus (19%) são recombinantes de segunda geração, constituídos por um ou mais subtipos e formas circulatórias recombinantes (CRFs). Finalmente, identificaram-se sequências não classificáveis (3%), bem como quatro sequências que formam um novo grupo dentro do subtipo A. Estas sequências podem definir o novo sub-subtipo A4.
A análise das sequências de aminoácidos da PR e da RT permitiu identificar novos polimorfismos naturais característicos de alguns subtipos, e permitiu ainda detectar mutações de resistência aos IPs (mutações minor, L10I/V, K20I/R, M36I, L63P, V77I e I93L) aos INRTs (V118I, T215F e G333E) e aos INNRTs (K101Q, K103N e Y318F). A frequência da maior parte destas mutações é significativamente superior nos isolados Angolanos comparativamente aos isolados de doentes não tratados infectados com subtipo B, C e CRF02_AG. A ocorrência de mutações de resistência e de outros polimorfismos, num número substancial de doentes não tratados, poderá limitar a eficácia da terapêutica antirretroviral convencional em Angola.

I Mestrado em Doenças Infecciosas Emergentes
Inês Isabel Fernandes Bártolo
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