quinta-feira, 17 de abril de 2008

"Avaliação dos Efeitos da Terapêutica Anti-retroviral na Progressão da Infecção por Vírus da Imunodeficiência Humana Tipo 2 Através da Quantificação de Ácidos Nucleicos e Linfócitos T CD4+"

A infecção por VIH-2 apresenta inúmeras características que a distinguem da infecção por VIH-1. Apesar de apresentar uma progressão mais lenta, quando comparada com a infecção por VIH-1, pode verificar-se imunodepressão marcada com necessidade de instituição de terapêutica anti-retroviral. Através dos resultados de estudos in vitro, sabe-se actualmente que a utilização de inibidores da transcriptase reversa não nucleosídeos não é recomendada na infecção por VIH-2, dada a ausência de susceptibilidade a estes fármacos. VIH-2 apresenta menor susceptibilidade que VIH-1 à maioria dos inibidores da protease (IP). Contudo, alguns IP parecem ser adequados ao tratamento da infecção por VIH-2. No que diz respeito aos inibidores da transcriptase reversa nucleosídeos, não parece haver diferenças de susceptibilidade entre VIH-1 e VIH-2, embora haja evidências de que a presença de polimorfismos naturais em VIH-2 pode condicionar a resposta a estes fármacos.
Neste estudo, recolheram-se os dados dos processos clínicos dos indivíduos infectados por VIH-2 seguidos na Consulta de Imunodepressão do Hospital de Santa Maria (CI-HSM), com o objectivo de caracterizar esta população e avaliar a progressão na presença ou na ausência de terapêutica anti-retroviral. Entre Junho de 1987 e Dezembro de 2006, foram diagnosticados 142 indivíduos com infecção por VIH-2 na CI-HSM, representando 5,3% do total de infecções por VIH. 62,3% dos indivíduos eram originários da região Ocidental de África e 66,9% eram do género feminino. A idade mediana à data do diagnóstico foi 38 anos nas mulheres e 46 anos nos homens. As contagens de linfocitos T CD4+ à data do diagnóstico foram 581 células/mcL nas mulheres e 314 células/mcL nos homens.
Verificou-se que o declínio das contagens de linfocitos T CD4+ é mais rápido em indivíduos com nadir inferior a 200 células/mcL, em relação a indivíduos com nadir superior a 200 células/mcL. Embora não tenha sido possível encontrar diferenças estatisticamente significativas na resposta aos diferentes esquemas terapêuticos, verificou-se variabilidade na resposta a diferentes esquemas terapêuticos e foi possível identificar LPV/r e SQV/r como os inibidores da protease provavelmente mais adequados ao tratamento da infecção por VIH-2.

III Mestrado em Doenças Infecciosas Emergentes
Luís Gonçalo Ferreira Monteiro de Freitas França

2 comentários:

Rita disse...

olá Luís!! PARABÉNS!!!!

Então, como é que te sentes?

Beijinhos,

Rita Tinoco

LFrança disse...

Olá Rita!

Desculpa só responder agora! Não reparei que tinha um comentário... Correu bem e está despachado. Uma grande leveza foi o que senti! Apesar disso, ainda levei uma certa esfrega do arguente. Mas valeu a pena todo o esforço, nem que seja pelos elogios da Emília e do Prof Francisco Antunes (!).